Qual é a Boa do Crowdfunding : Entrevista com João Carlos Figueiredo

Tempo de leitura: 7 minutos

Nossa entrevista foi com João Carlos Figueiredo, que com 66 anos se aventurou em uma expedição de 99 dias a bordo de uma canoa no Rio São Francisco e após sua aventura decidiu lançar um crowdfunding para publicação do seu livro.

Ele que é ambientalista, poeta, pensador, indigenista, espeleólogo, montanhista, mergulhador, fotógrafo amador, canoeiro e amante da natureza, agora é também um sucesso no crowdfunding.

meu-velho-chico

 

Nayara: Você pode  me  contar um pouco como foi sua experiência com a campanha?

Minha experiência com a Kickante foi surpreendente! Eu não conhecia nada sobre Crowdfunding e só resolvi tentar essa alternativa porque todas as portas em que bati por patrocínio encontrei fechadas, seja por desinteresse sobre o tema ambiental, seja por questões políticas sobre o tema fundiário, ou seja mesmo pela crise em que vivemos, que restringiu demais as verbas de patrocinadores. Aprendi bastante com essa experiência, e fomos evoluindo graças a vocês e às minhas filhas, que compraram integralmente a ideia do financiamento coletivo. A Mônica, que mora em Dubai e trabalha em publicidade, não só desenvolveu os flyers da campanha como também mobilizou seus amigos internacionais.

Nayara: Como foi decidir fazer uma expedição de canoagem pelo Rio São Francisco por 99 dias? De onde surgiu essa ideia?

Bem, tudo começou em 2000, quando fizemos uma viagem para Bonito, no Mato Grosso do sul. Gostamos tanto que eu resolvi desenvolver atividades de aventura. Primeiro foram os mergulhos, depois o montanhismo e a exploração de cavernas e finalmente a canoagem, que começou em um treinamento na Chapada Diamantina, com um grupo de sobrevivência em áreas remotas. Decidi fazer uma experiência solo e escolhi o rio São Francisco por ser um rio totalmente nacional, com condições de navegabilidade e com problemas gravíssimos com relação ao Meio Ambiente e também problemas fundiários herdados do coronelismo do período colonial. Aí foi juntar “a fome com a vontade de comer”! Resolvi navegar o rio da nascente até a foz, 2.700 km de pura emoção!

Confira entrevista completa aqui -> https://crowdfunding.kickante.com.br/casemeuvelhochico/

Nayara: Você visitou aldeias indígenas, o que mais chamou a sua atenção? 

Eu visitei muitas comunidades indígenas, quilombolas, de pescadores, de lavradores, bem como várias cidades e povoados ao longo do caminho. Tirei mais de 4.000 fotos em todo o trajeto, assim como fiz mais de 80 horas de filmagens, gravando entrevistas, depoimentos ou simples cenas do rio. Fatos surpreendentes foram muitos, mas um nada engraçado eu posso contar: estava na região oeste da Bahia, o trecho mais agreste, árido e quente da expedição, nessa altura já envolvido completamente com as questões fundiárias e do coronelismo nordestino, apoiando as teses dos movimentos sociais, quando, saindo de um assentamento dos sem terras, fui abordado em pleno rio por dois jagunços de fazendeiros e ameaçado de morte caso continuasse nessa linha de ação e visitando as comunidades ribeirinhas. Foi bastante assustador e aterrorizante! Felizmente, não me molestaram, mas tive que parar em uma cidade, Paratinga, e chamar meus novos amigos da Comissão Pastoral da Terra, a quem relatei o ocorrido. Daí em diante, e por muitos quilômetros e vários dias, fui “escoltado” por pescadores até chegar à cidade de Barra, fim do trajeto oeste da Bahia. Toda essa história está narrada em meu livro, e constituiu a grande ameaça ao futuro da expedição, que terminou bem e sem que as ameaças fossem transformadas em mais uma tragédia.

foto_1

Nayara: Por que você escolheu lançar o livro através do crowdfunding? 

Como relatei antes, pela falta de opções de patrocínio, pois nada conhecia sobre financiamento coletivo. Foi uma escolha muito acertada.

Nayara: Como foram as primeiras semanas de campanha? 

As primeiras semanas foram meu período de aprendizagem: falta de planejamento e tentativas mal sucedidas de mobilizar as redes sociais. Eu próprio tinha pouca convicção sobre o método de convencimento de meus amigos. Como alguém iria acreditar em meu projeto e doar dinheiro para que eu realizasse um sonho meu? Mas esses dias foram fundamentais para eu repensar meu projeto e redirecionar o restante da campanha.

Nayara: Qual a estratégia que mais funcionou para você ?

A melhor estratégia que adotamos foi, em primeiro lugar, de tornar conhecido o escopo do meu livro: muitas fotografias, muita explicação das razões de produzir um livro, de sua importância para os debates sobre o meio ambiente, a degradação provocada pelo homem ao longo dos 500 anos de nossa história. Em seguida, tornado o livro conhecido, foi mobilizar as redes sociais através de apelos à colaboração participativa, ou seja, fazer dos doadores elementos fundamentais da produção literária, parte integrante do próprio livro. Finalmente, transformar os próprios doadores em mobilizadores de suas redes sociais. Isso deu muito resultado, em um processo crescente de colaboração.

Nayara: Me conta 3 coisas que você aprendeu sobre financiamento coletivo. 

Bem, primeiro, que não é um processo fácil de pedir dinheiro, mas sim um processo de convencimento, de co-autoria, de engajamento coletivo para uma causa comum. Em segundo lugar, que as recompensas precisam fazer sentido ao objeto final da campanha, ou seja, convencer os doadores de que o produto deles seria diferente do produto das prateleiras, pois seus nomes seriam gravados como patrocinadores do livro! Finalmente, o terceiro aprendizado é que o financiamento coletivo é o instrumento mais democrático e honesto de se conseguir desenvolver um projeto, desde que nossos propósitos também sejam honestos e justos para a sociedade, ou seja, não queremos ganhar  dinheiro fácil, mas convencer pessoas de que estão investindo em um produto que se justifica por si.

foto_2

Nayara: Parece que a história não termina com o livro,  certo? Tem mais coisas para  vir, pode falar  um pouco a respeito? 

Com certeza, a história não termina com o livro. Pelo contrário, o livro faz parte da história anterior, que foi a expedição, e se tornou um compromisso com os ribeirinhos. Para eles também o livro se tornou a sua voz, a ser ouvida por quem irá conhecer as suas necessidades, a sua situação, a sua solidão desconhecida dos homens. O livro será o instrumento de libertação de mil vozes ouvidas no rio! Não será vendido porque não é um produto comercial, mas um libelo pela preservação do rio, pela emancipação dessas comunidades, pela justiça social e pela dignidade desses seres humanos, habitantes das margens do rio São Francisco, o Velho Chico, amado e adorado por seu povo.

Nayara: O que seria diferente na divulgação desse próximo projeto? 

O próximo projeto poderá ser a produção de um documentário, utilizando essas 80 horas de filmagens. Na verdade, o propósito inicial era o de produzir um documento multimídia, com o texto literário, as fotografias e um encarte em DVD, além de um livro digital com essas mídias de vídeo, tornando a leitura um processo interativo. Mas essa será uma nova história, om novo projeto que espero poder realizar um dia… certamente com vocês!

Confira a entrevista completa aqui -> https://crowdfunding.kickante.com.br/casemeuvelhochico/

Gostou de mais esta história de sucesso?

Então, acessa o nosso site e crie a sua campanha de crowdfunding. Ela poderá aparecer aqui no nosso Blog também! 😀

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *